Ultrassom

Ultrassom morfológico do 1º trimestre: o exame das 12 semanas

O morfológico do 1º trimestre é feito entre 11 e 14 semanas. Veja o que ele avalia, o que é a translucência nucal e o que aparece na imagem.

Este artigo é informação geral, não orientação médica. Fale com seu obstetra ou ultrassonografista sobre a sua gestação e os seus exames.

O ultrassom morfológico do 1º trimestre é o exame feito entre 11 e 14 semanas de gestação, por isso muita gente o chama de “ultrassom das 12 semanas”. Ele confirma a idade da gravidez e o número de bebês, mede a translucência nucal (o líquido na nuca do bebê) como parte de um rastreamento e faz uma primeira checagem da anatomia. Na imagem, os pais costumam ver o bebê inteiro de perfil, já com cabeça, corpo, braços e pernas.

Este guia explica o exame sem interpretar resultados: o que significa cada medida para a sua gravidez é sempre uma conversa com o seu obstetra.

Quando fazer o morfológico do 1º trimestre

O morfológico do primeiro trimestre tem uma janela curta: de 11 a 14 semanas. A ISUOG, sociedade internacional de ultrassom em obstetrícia, publicou em 2023 a diretriz atualizada para esse exame com essa mesma janela. O NHS, o serviço público de saúde britânico, faz o exame equivalente “por volta de 10 a 14 semanas”.

É diferente do primeiro ultrassom da gravidez. A Caderneta Brasileira da Gestante, do Ministério da Saúde, coloca a ultrassonografia obstétrica entre os exames do primeiro trimestre, idealmente entre 7 e 12 semanas. Algumas gestantes fazem os dois; em outras, o médico combina os objetivos. Explicamos o primeiro exame em ultrassom obstétrico.

Como a janela é curta, marque assim que receber o pedido. Passadas as 14 semanas, a medida da translucência nucal já não segue o mesmo protocolo.

O que o exame avalia

O morfológico do primeiro trimestre tem vários objetivos ao mesmo tempo. Segundo a diretriz da ISUOG, ele serve para:

  1. Confirmar que a gestação está evoluindo, com batimentos e movimentos.
  2. Contar os bebês e, em gêmeos, ver se dividem a placenta.
  3. Datar a gravidez com precisão, pelo comprimento do bebê.
  4. Rastrear alterações cromossômicas, como a síndrome de Down.
  5. Identificar anomalias estruturais maiores que já podem ser vistas.
  6. Rastrear o risco de pré-eclâmpsia, em serviços que fazem esse cálculo.

A ACOG, o colégio americano de obstetras e ginecologistas, faz uma ressalva útil: no primeiro trimestre ainda é cedo para ver muitos membros e órgãos em detalhe. Por isso o morfológico do segundo trimestre continua necessário, como explicamos em ultrassom morfológico do 2º trimestre.

Translucência nucal: o que é e o que não é

A translucência nucal é a medida de uma camada de líquido na parte de trás do pescoço do bebê. O NHS explica que ela é medida no exame dessa fase quando a gestante concorda com o rastreamento da síndrome de Down. Muitos serviços combinam essa medida com outros dados, como a idade da mãe e exames de sangue, para calcular um risco.

Três pontos que ajudam a ler o laudo com calma:

  • É rastreamento, não diagnóstico. O resultado é uma estimativa de risco, não uma resposta de sim ou não.
  • Um risco aumentado leva a uma conversa, e às vezes a outros exames, que o seu médico vai explicar.
  • Não compare números com os de amigas ou da internet. A interpretação depende da idade da gestação no dia e de outros fatores.

É pela barriga ou transvaginal?

O morfológico do primeiro trimestre costuma começar pela barriga, mas às vezes é preciso complementar pelo transvaginal. A ACOG explica que o tipo de ultrassom depende das imagens que o profissional precisa. Se o bebê estiver numa posição difícil ou a imagem não estiver nítida pela barriga, o transvaginal pode dar uma visão melhor.

Algumas dicas práticas:

  • Siga o preparo que vier com o agendamento. Alguns serviços pedem bexiga cheia, outros não.
  • Vá com roupa de duas peças, fácil de abrir na barriga.
  • Leve os exames anteriores, principalmente o primeiro ultrassom.
  • Reserve tempo. O NHS diz que o exame de datação leva cerca de 20 minutos, e o morfológico pode demorar mais se o bebê não colaborar.

O que aparece na imagem

A imagem mais comum do morfológico do primeiro trimestre é o bebê inteiro de perfil, porque é nessa posição que a translucência nucal é medida. Dá para reconhecer a cabeça grande em relação ao corpo, o perfil da testa e do nariz, a barriga, braços e pernas. A Caderneta da Gestante lembra que, a partir de 14 semanas, já é possível observar movimentos do corpo do bebê no ultrassom, e muitos pais veem o bebê se mexer nessa fase.

O que ainda não dá para ver:

  • O rosto com detalhe. O perfil aparece, mas as feições ainda não lembram as de um recém-nascido.
  • O sexo com segurança. É possível um palpite, mas com menos certeza que no segundo trimestre. Num estudo brasileiro com 455 fetos, a medida do ângulo do tubérculo genital acertou o sexo em 72% dos casos com 11 semanas, 86% com 12 e 88% com 13 (Bunduki et al., 2005). Num estudo australiano, os palpites antes de 12 semanas acertaram só 54% (Kearin et al., 2015).

Se a ideia de adivinhar o sexo pelo formato do “nub” chamou sua atenção, veja o que dizem os estudos em teoria do nub.

A primeira foto de perfil e o retrato imaginado

A foto das 12 semanas costuma ser a primeira que os pais mostram para a família. Se você gosta de imaginar, o SeeMyBaby transforma uma foto do ultrassom num retrato imaginado do bebê recém-nascido em cerca de um minuto. Com uma imagem tão cedo, o resultado é bem mais imaginado: o app funciona melhor com um 3D ou 4D do segundo ou terceiro trimestre, com o perfil visível.

É entretenimento, não um exame. O app não analisa a translucência nucal, não faz rastreamento e não diz nada sobre a saúde do bebê.

Fontes

A visão geral dos três exames está em ultrassom morfológico, e todos os guias estão no blog do SeeMyBaby.

Perguntas que os pais fazem

Com quantas semanas se faz o morfológico do 1º trimestre?

Entre 11 e 14 semanas, segundo a diretriz da ISUOG. Como a janela é curta, marque logo que receber o pedido.

O morfológico do 1º trimestre é pela barriga?

Costuma ser pela barriga, mas às vezes é complementado pelo transvaginal para ver melhor. Depende da posição do bebê e das imagens que o profissional precisa.

Dá para saber o sexo no ultrassom de 12 semanas?

Às vezes dá um palpite, mas com menos certeza. Em estudos, a taxa de acerto subiu de cerca de 54% a 72% antes de 12 semanas para perto de 88% com 13 semanas.

O que é translucência nucal alterada?

É uma medida acima do esperado para a idade da gestação, que aumenta o risco calculado no rastreamento. Não é um diagnóstico; o seu médico explica o que ela significa no seu caso e se outros exames são indicados.

Sarina GomezEditora, SeeMyBaby

Sarina Gomez é o pseudônimo da equipe editorial do SeeMyBaby.

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