Este artigo é informação geral, não orientação médica. Fale com seu obstetra ou ultrassonografista sobre a sua gestação e os seus exames.
Não há evidência de que o ultrassom feito no pré-natal faça mal ao bebê. Uma revisão sistemática conduzida pela OMS, com 61 publicações, concluiu que o ultrassom diagnóstico na gravidez parece ser seguro, e o ACOG afirma que não foram encontradas ligações com malformações, câncer na infância ou problemas de desenvolvimento. A cautela das entidades é outra: o ultrassom é energia, e por isso deve ser usado por motivo médico, por profissional qualificado e pelo tempo necessário. É aí que entra a discussão sobre o ultrassom 3D e 4D feito só como lembrança.
O que a ciência diz sobre a segurança do ultrassom
O ultrassom não usa radiação ionizante, como o raio X, e tem um histórico longo de uso seguro na gestação. Três referências resumem o consenso:
- OMS (revisão sistemática, 2009). A revisão, liderada por uma pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo, analisou 61 publicações de 41 estudos. O ultrassom na gravidez não foi associado a desfechos ruins para a mãe ou o bebê, a problemas de crescimento ou desenvolvimento neurológico, a câncer na infância, nem a desempenho intelectual abaixo do esperado. Os autores relataram uma associação fraca com não ser destro em meninos, achado de sentido incerto.
- ACOG (Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas). Segundo o ACOG, “não há evidência de que o ultrassom seja prejudicial ao feto em desenvolvimento”, mas é possível que efeitos sejam identificados no futuro. Por isso, recomenda que o exame seja feito só por razões médicas, por profissionais qualificados, e que o uso casual seja evitado.
- NHS (sistema de saúde britânico). O NHS afirma que não há riscos conhecidos para o bebê ou a mãe ao fazer um ultrassom.
Em resumo: os exames do pré-natal pedidos pelo seu médico não são motivo de preocupação.
Por que então existe cautela
A cautela existe porque o ultrassom é energia, e energia tem efeitos físicos, mesmo pequenos. A FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, explica dois efeitos:
- Aquecimento. As ondas podem aquecer levemente os tecidos.
- Cavitação. Em alguns casos, podem formar pequenas bolhas de gás em líquidos ou tecidos.
A FDA diz que as consequências de longo prazo desses efeitos ainda são desconhecidas, e que os riscos podem aumentar com exposição prolongada e desnecessária ou quando o aparelho é usado por pessoas sem treinamento. É por isso que profissionais seguem o princípio de usar a menor energia e o menor tempo que respondem à pergunta do exame.
Não é um alerta de perigo; é a mesma lógica de não tomar um remédio sem necessidade, mesmo que ele seja considerado seguro.
Ultrassom 3D e 4D faz mal?
O ultrassom 3D e 4D usa o mesmo tipo de onda sonora do 2D; o que muda é como o computador monta a imagem. O ponto de atenção não é a tecnologia em si, e sim o motivo e a duração do exame.
| Exame médico (pré-natal) | Ultrassom só de lembrança | |
|---|---|---|
| Motivo | Avaliar a saúde e o desenvolvimento do bebê | Ver o rosto e levar imagens para casa |
| Quem indica | O médico | A própria família |
| Duração | O necessário para responder às perguntas clínicas | Pode se estender para conseguir “a foto perfeita” |
| Posição das entidades | Recomendado | Desaconselhado quando é a única razão do exame |
A FDA afirma que o uso do ultrassom apenas para fins não médicos, como vídeos de lembrança, tem sido desaconselhado. E faz uma ressalva importante: imagens e vídeos de lembrança são razoáveis quando produzidos durante um exame com indicação médica e sem exposição adicional.
Se o seu 3D/4D for feito junto de um exame com indicação médica, como o morfológico, a pergunta prática passa a ser como ele será conduzido e por quanto tempo. Para saber mais sobre as diferenças entre os tipos, veja ultrassom 4D e ultrassom 3D.
Muitos ultrassons fazem mal?
Fazer vários ultrassons pedidos pelo médico não é um problema conhecido. Gestações com acompanhamento especial podem ter exames frequentes, e a revisão da OMS incluiu estudos com exposição em qualquer número de vezes, sem associação com danos.
O que as entidades desaconselham é a exposição sem motivo. Algumas perguntas que você pode levar para a consulta ou para a clínica:
- “Esse exame tem indicação médica na minha gestação?”
- “Quanto tempo o exame costuma durar?”
- “Se o bebê não estiver numa boa posição para o 3D, posso voltar outro dia em vez de prolongar o exame?”
- “Quem vai fazer o exame e interpretar as imagens?”
E um ponto que a FDA destaca: os monitores de batimentos fetais vendidos para uso em casa (doppler portátil) devem ser usados só por profissionais e quando necessário. O uso por leigos pode expor o bebê a energia por tempo prolongado e gerar interpretações erradas.
Uma lembrança do rosto sem exame extra
Se o que você quer é imaginar o rosto do bebê, dá para fazer isso com as imagens que já tem, sem nenhuma exposição a mais. O SeeMyBaby transforma uma foto do ultrassom que você já fez, seja 2D, 3D ou 4D, inclusive foto do papel ou print da tela, em um retrato imaginado do recém-nascido. O processo acontece no app e no servidor, a partir da imagem, e não tem contato nenhum com a gestante.
É uma brincadeira, não uma avaliação médica: o app não analisa o exame nem diz nada sobre a saúde do bebê. Um 3D nítido dá um retrato mais parecido com o exame; um 2D deixa mais espaço para a imaginação.
Fontes
- Torloni MR et al. Safety of ultrasonography in pregnancy: WHO systematic review of the literature and meta-analysis. Ultrasound Obstet Gynecol, 2009.
- ACOG. Ultrasound Exams (FAQ).
- FDA. Ultrasound Imaging.
- NHS. Ultrasound scans in pregnancy.
Perguntas que os pais fazem
Ultrassom transvaginal faz mal para o bebê?
O transvaginal é um ultrassom como os outros, só que com a sonda mais perto do útero, o que melhora a imagem no começo da gravidez. As referências de segurança do ultrassom diagnóstico valem também para ele, quando indicado pelo médico.
Ultrassom 4D faz mal para o bebê?
Não há evidência de dano. As entidades desaconselham fazer ultrassom apenas como lembrança, sem indicação médica, porque recomendam evitar exposição desnecessária.
Quantos ultrassons posso fazer na gravidez?
Quem define é o seu médico, conforme a sua gestação. O ACOG cita ao menos um exame padrão, geralmente entre 18 e 22 semanas, e muitas gestantes fazem também um no primeiro trimestre.
Ultrassom pode causar autismo?
A revisão da OMS não encontrou associação entre ultrassom na gravidez e problemas de desenvolvimento neurológico ou doenças mentais. O ACOG também afirma que não foram encontradas ligações com problemas de desenvolvimento.
Leia outros guias sobre ultrassom no blog, incluindo o texto sobre o ultrassom obstétrico.
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